Assembléia Pós-graduandos - Campus Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo
Pauta: Crise na USP e Greve
Dia 24-06-2014
Horário: 13h
Local: Espaço de Eventos - Bloco Didático - FMRP
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NOVO DIA DAS REUNIÕES
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Reuniões APG-USP-RP - Segunda-Feira - 13:00 as 14:00 h
segunda-feira, 23 de junho de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
A ciência brasileira não é feita por cientistas, afirma professora da UFRJ
A ciência brasileira não é feita por cientistas, afirma professora da UFRJ
C&T Educação - BR
ESCRITO POR CAMILA COTTA
Para Suzana Herculano-Houzel, o fato de não haver regulamentação da profissão cientista atrasa o desenvolvimento tecnológico do Brasil. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Nos últimos anos, o Brasil vem acumulando bons resultados em rankings de produção científica. No último levantamento feito pela consultoria Thomson Reuter, entre 2007 e 2011, o País correspondeu a 2,6% da produção científica global. No entanto, esses artigos, que ultrapassam a barreira das 25 mil publicações por ano, não são feitos por cientista e sim por professores.
A avaliação foi feita pela neurocientista e professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Suzana Herculano-Houzel. Para ela, o fato de não haver regulamentação da profissão cientista atrasa o desenvolvimento tecnológico do Brasil.
“Não posso dizer que neurocientista é minha profissão, porque a minha profissão de cientista não existe no Brasil. Não está na tabela das profissões regulamentadas pelo Ministério do Trabalho (MTE). Para poder atuar como cientista, eu atuo como professora de nível superior, eu literalmente faço ciência nas horas vagas”, expôs.
A professora explicou que a maior parte da ciência no Brasil por professores universitários ou por pessoas que não tem emprego nenhum, jovens cientistas chamados estudantes de pós-graduação. “A produção científica cresce ao longo dos anos por causa do número de mestres e doutores que são formados no Brasil. São esses jovens que produzem o conhecimento cientifico”, disse.
Para ela, o trabalho que os jovens exercem não é chamado de trabalho e sim estudo. “É como se eles investissem na educação deles. Outros países já não cometem mais esse erro. O erro é não reconhecer esse trabalho como qualquer outro”, lamentou. “É um esforço laboral que gera um produto científico. Por que o jovem cientista recém graduado precisa passar pela humilhação de continuar sendo estudante?”.
Baixa remuneração
Suzana Herculano-Houzel contou que durante uma graduação o jovem já faz ciência como aprendiz, ou seja, um estagiário durante a iniciação cientifica, ganhando uma bolsa que tem o valor menor que o salário mínimo muitas vezes. Para trabalhar com ciência, quando ele se forma tem que entrar para pós-graduação. “Isso significa se sujeitar a uma bolsa de mestrado de R$ 1,5 mil reais mensais fixos pelos próximos dois anos sem qualquer direito trabalhista ou qualquer outro trabalho para complementar a renda”, observou .
A professora criticou ainda a obrigatoriedade em assinar uma declaração de que não vínculo empregatício do pesquisador com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e/ou com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “É preciso passar por mais uma humilhação: o atestado de pobreza. Enquanto isso seus colegas recém formados em engenharia e direito, por exemplo, já têm trabalho de verdade, ganhando de verdade”.
Para o jovem continuar trabalhando como cientista, ele precisa ingressar num programa de doutorado. “É a única atividade de emprego se ele quiser atuar como cientista. A bolsa também tem valor mensal de R$ 2,2 mil, sem nenhum vínculo empregatício e benefícios trabalhistas”, comentou.
Sugestões
De acordo com Suzana, é possível fazer contratações por fundações e institutos de ciências ligados as universidades, que poderiam receber dos governos os valores que hoje são pagos como bolsa, com contrato de trabalho e todos os direitos empregatícios. “Com a obrigatoriedade de contratação virá a possibilidade de salários com valores competitivos”, decsreveu.
Para ela, dessa forma, a ciência caminha e a sociedade cresce. “É fundamental para a soberania de uma população que ela valorize a produção de conhecimento cientifico. Isso começa por valorizar seus cientista. Fazer ciência no Brasil hoje, infelizmente, é uma péssima decisão profissional com pouquíssimas perspectivas”, finalizou.
link original: http://www.agenciacti.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4363:a-ciencia-brasileira-nao-e-feita-por-cientistas-afirma-professora-da-ufrj
sábado, 31 de agosto de 2013
CARTA ABERTA AO FORTALECIMENTO DAS ATIVIDADES DE CULTURA E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA JUNTO À PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA - I Congresso Nacional do Projeto Rondon

CARTA ABERTA AO FORTALECIMENTO DAS
ATIVIDADES DE CULTURA E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA JUNTO À PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA
A Associação de Pós-graduandos da Universidade de São
Paulo do Campus de Ribeirão Preto (APG-USP-RP) vem desde 1976, refletindo e
construindo junto à formação de cientistas, professores universitário,
dirigentes de órgãos públicos e privados, durante seus anos de formação
universitária.
Esta nossa pequena contribuição para os rumos
democráticos e jubilosos de nosso país se faz em um processo de diálogo e
cooperação com as instituições que tradicionalmente tem em seus papéis uma vultosa
responsabilidade neste direcionamento, concomitante a sensibilidade em ouvir
aqueles que estão, em sua limitação, colocando proposições relevantes ao olhar
do outro lado da prática cotidiana.
Neste intuito, inicialmente, gostaríamos de
parabenizar a construção desta parceria de Universidades e Forças Armadas em
uma proposta de Extensão Universitária voltada para a educação e o
empreendedorismo social, superando a visão utilitarista e impositiva que muito
tempo vigorou nas universidades e no círculo da intelectualidade brasileira na
relação entre o saber sistematizado e o saber popular.
No mais pretendemos, brevemente, colocar algumas
reflexões e proposições para construir em conjunto um novo desafio junto a
estas práticas extensionistas de forma a ampliar seus êxitos já bem
estabelecidos.
Em termo de educação pós-graduanda as políticas de Cultura
e Extensão são demasiadamente desprezadas pela academia. Quando propomos a discussão
sobre as relevâncias sociais de um projeto ou mesmo o planejamento de
atividades de educação com a população, nos deparamos com um olhar de
estranheza dentro dos colegiados ou grupo de pesquisas.
Outra evidencia que nos traz esta necessidade de
fortalecer as atividades de extensão universitária junto à pós-graduação está
na ausência explícita de indicadores de Cultura e Extensão, ou o baixo peso
atribuído a estes, em avaliações institucionais oficiais.
Daí a imprescindibilidade de ampliarmos uma práxis
sólida entre educação-pesquisa-desenvolvimento social-justiça social, como já
vemos na graduação, ampliando e valorizando os projetos de Cultura e Extensão
que podem ter como exemplo concreto, e de sucesso, a fase atual do “Projeto
Rondon”.
Estes projetos, inegavelmente, apenas se consolidarão
e perpetuarão com a participação destes que serão futuros docentes
universitários, ou outras lideranças em suas áreas, que por sua experiência em Cultura
e Extensão durante a pós-graduação irão fomentar e participar ativamente destas
atividades no futuro.
Assim se dirigindo a nossa universidade, mas deixando
em aberto nossa colaboração com outras faculdades e universidades, as seguinte
propostas:
- Elaborar em conjunto e dar suporte a projetos
multidisciplinares em todos os campi, com a participação de um grupo formado
por docentes, funcionários, estudantes de graduação e pós-graduação, lideranças
comunitárias e movimentos sociais, para construirmos internamente e em nossos
próprios arredores uma nova proposição de formação de nossos estudantes, de
prática para nossos professores e de futuro para estas populações.
- Estabelecer um Programa de Aperfeiçoamento em Cultura
e Extensão (PACEx), similar ao Programa de Aperfeiçoamento de Ensino (PAE) já
implantado na USP, que consiste em um programa que ao mesmo tempo: valoriza as
atividades de Cultura e Extensão cadastradas junto a instituição que
solicitarem a participação de um ou mais pós-graduando; valoriza a inclusão das
atividades de Cultura e Extensão na formação universitária; e valoriza a
participação do estudante comprometido com esta área com uma bolsa.
Lembramos que na graduação da USP a monitoria
departamental, uma atividade que introduz o aluno no conhecimento da educação
universitária, possui no PAE um similar que trabalha como uma sistematização ao
início a docência universitária, assim, naturalmente, esperaríamos que o
projeto de “Aprender com Cultura e Extensão”, que introduz a prática aos
estudantes de graduação, tenham um similar no PAEX, que não existe hoje.
E se dirigindo aos responsáveis das Forças Armadas
pelo Projeto Rondon, colocamos as seguintes propostas:
- Ampliar as atividades e parcerias entre universidade
e Forças Armadas, para além do “Projeto Rondon”, ampliando o suporte logístico
a atividades de duração mais prolongadas que possibilitem a organização de
atividades de Cultura e Extensão de longo prazo dentro do currículo
universitário, possibilitando a construção pela universidade de estágios
disciplinares em novos cenários de prática e formação profissional. Estas
atividades possibilitam ao graduando e pós-graduando novas opções em sua vida profissional,
por uma área de atuação que atenda populações ou regiões, ou mesmo se
direcionar a carreira militar, que só terão contatos prévios com a existência
destas atividades.
- Incluir no quadro de rondonistas a participação dos
pós-graduandos como auxiliares de coordenação junto as operações do Projeto
Rondon ou projetos similares, lembrando:
da dificuldade de participação de mais de um docente pelo período das
atividades da operação; da capacidade de supervisão na área profissional
graduada deste profissional-estudante; e da necessidade de aproximar os
pós-graduandos para que se perpetue a construção destes e de demais projetos de
Cultura e Extensão pelos futuros docentes e apoiadores destas atividades.
Mais que propostas, estas são algumas das reflexões e
opiniões que esperamos discutir com maior profundidade neste I Congresso
Nacional do Projeto Rondon e em diálogos futuros tanto com a USP e demais
universidades, quanto com as Forças Armadas, e outros órgãos governamentais
envolvidos, mostrando que estamos atentos a necessidade de ampliação e
sistematização das atividades de Cultura e Extensão junto a Pós-graduação Strictu-Sensu brasileira e confiantes
que as instituições prestigiosas que também empunham a bandeira da Cultura e
Extensão nas Universidades, como a USP e demais universidades presentes neste
Congresso e as Forças Armadas do Brasil, possam ser receptivas ao nosso esforço
pequeno em termo da grandiosidade do tema, mas que se engrandece por estas entidades
identificarem nos pós-graduandos e nas instituições que os representam,
verdadeiros, parceiros.
Agradecemos a atenção e nos dispomos a colaborar
sempre neste sentido,
parabenizando a todos por mais esta vitória à Cultura
e Extensão Universitária Brasileira.
Associação dos Pós-graduandos da
Universidade de São Paulo do campus de Ribeirão Preto
entre seus diretores:
Claudimar Amaro de Andrade
Rodrigues
rondonista, Operação Vale do
Ribeira – 2006 (Eldorado-SP) e Operação Centenário da Comissão Rondon – 2007
(Vitória do Jari-AP)
Mariana Lopes Borges
rondonista, Operação Rei do Baiao – 2010
(Santa Maria da Boa Vista- PE)
Silvana Proenca Marchetti
rondonista, Operação Rei do Baiao – 2010 (Santa
Maria da Boa Vista- PE)
Ribeirão
Preto, 31 de agosto de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
Enquete sobre a Eleição/Nomeação da Diretoria FMRP-USP
Enquete sobre a Eleição/Nomeação da Diretoria FMRP-USP
A Associação de Pós-graduandos da Universidade de São Paulo do Campus de Ribeirão Preto gostaria de saber a sua opinião, assim como a opinião dos pós-graduandos e toda a comunidade, sobre este tema.
Solicitamos a todos que respondam as 2 questões do link e os dados de identificação (A enquete estará aberta até 1 de maio e o resultado será disponibilizado na semana posterior).
Aproveitamos para convidar a comunidade uspiana, sobretudo os pós-graduandos da FMRP, a conversar sobre o posicionamento dos Pós-graduandos da FMRP e do Câmpus quanto a polêmica em torno da nomeação do diretor da FMRP.
A reunião ocorrerá no dia 18/04/13, na sala 1E do bloco didático da FMRP (Prédio Amarelo de Anfiteatros), das 12:30 horas até as 14:00h, tendo está como pauta principal da reunião ordinária da APG-USP-RP.
Obrigado pela colaboração de todos,
APG-USP-RP
quarta-feira, 10 de abril de 2013
O Plano Nacional de Pós-Graduação
Data e horário: 11/04 às 14h30
Local: Auditório Lucien Lison, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP Ribeirão Preto (FFCLRP-USP)
As inscrições são gratuitas, para participar clique aqui.
O PNGP, que tem como fundamento definir novas diretrizes, estratégias e metas para dar continuidade e avançar nas propostas para política de pós-graduação e pesquisa no Brasil, foi formulado a partir de pesquisas e sugestões da comunidade e acadêmica e da própria sociedade, consultando associações científicas, universidades e especialistas de diferentes áreas do conhecimento e do ensino.
Local: Auditório Lucien Lison, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP Ribeirão Preto (FFCLRP-USP)
As inscrições são gratuitas, para participar clique aqui.
O palestrante será o Prof. Jorge Almeida Guimarães, Presidente da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) que irá abordar os objetivos e princípios do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2011-2020.
O PNGP, que tem como fundamento definir novas diretrizes, estratégias e metas para dar continuidade e avançar nas propostas para política de pós-graduação e pesquisa no Brasil, foi formulado a partir de pesquisas e sugestões da comunidade e acadêmica e da própria sociedade, consultando associações científicas, universidades e especialistas de diferentes áreas do conhecimento e do ensino.
O Plano está organizado em cinco eixos, sendo eles: a expansão do Sistema Nacional de Pós-Graduação; A criação de uma nova agenda nacional de pesquisa; O aperfeiçoamento da avaliação; A multidisciplinaridade entre as principais características da pós-graduação; O apoio à educação básica e a outros níveis e modalidades de ensino, destacando-se o ensino médio.
Sobre Jorge Almeida Guimarães: Pesquisador Sênior do CNPq. Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e doutorado em Ciências Biológicas (Biologia Molecular) pela Escola Paulista de Medicina-UNIFESP. Percorreu toda a carreira universitária atuando como professor na UFRRJ, UNIFESP, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-SP, na UNICAMP, UFF e UFRJ. Recebeu o Título de Professor Emérito da UFRJ em 1999. Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Retirado do Blog IEA-RP
Sobre Jorge Almeida Guimarães: Pesquisador Sênior do CNPq. Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e doutorado em Ciências Biológicas (Biologia Molecular) pela Escola Paulista de Medicina-UNIFESP. Percorreu toda a carreira universitária atuando como professor na UFRRJ, UNIFESP, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-SP, na UNICAMP, UFF e UFRJ. Recebeu o Título de Professor Emérito da UFRJ em 1999. Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Retirado do Blog IEA-RP
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Retrospectiva 2012 - Auxilio para fazer folhas iniciais da tese
Serviço de Pós-Graduação da EERP em conjunto com a CPG desenvolveu uma ferramenta para gerar as páginas iniciais de dissertações e teses ( capa, folha de rosto, ficha catalográfica e folha de assinatura) visando a redução de erros detectados no depósito dos exemplares.
http://www.eerp.usp.br/gerar-folha-de-rosto/
retrospectiva 2012 - Saúde dos pós-graduandos
Depressão na Pós-Graduação e Pós-doutorado
O que fazer com os estudantes e cientistas que não conseguem estudar e pesquisar?
Sergio Arthuro (1)
A imagem de nós cientistas no senso comum, como estereotipada por Einstein, é que somos meio loucos. De fato, como revelado recentemente pela revista Nature, parece que realmente não temos uma boa saúde mental, dada a alta ocorrência de depressão entre pós-graduandos e pós-doutorandos.
Os pós-graduandos são os estudantes de mestrado e de doutorado, enquanto os pós-doutorandos são os recém doutores em aperfeiçoamento, que ainda não conseguiram um emprego estável. Os pós-doutorandos são comuns há muito tempo nos laboratórios da Europa e dos Estados Unidos, já no Brasil este é um fenômeno recente.
Segundo o texto, boa parte dos estudantes de pós-graduação que desenvolvem depressão foram ótimos estudantes na graduação. Lauren, doutoranda em química na Universidade do Reino Unido, começou com dificuldade em focar nas atividades acadêmicas, evoluiu com medo de apresentar a própria pesquisa, e terminou sem nem mesmo conseguir sair da cama. Felizmente, Lauren buscou ajuda e agora está terminando o seu doutorado, tendo seu caso relatado no site de ajuda Students Against Depression, cujo objetivo é “desenvolver a consciência de que a depressão não é uma falha pessoal ou uma fraqueza, mas sim uma condição séria que requer tratamento”, segundo a psicóloga Denise Meyer, que ajudou no desenvolvimento do site.
Para os cientistas em início de carreira, a competição no meio acadêmico pode levar a isolamento, ansiedade e insônia, que podem gerar depressão. Esta pode ser acentuada se o estudante de pós-graduação tiver problemas extracurriculares e/ou com seu orientador. Já que a depressão altera significativamente a capacidade de fazer julgamento racional, o deprimido perde a capacidade de se reconhecer como tal. Aqui, na minha opinião, o orientador tem um papel fundamental, mas que na prática não tenho observado muito: não se preocupar apenas com os resultados dos experimentos, mas também com a pessoa do estudante.
De acordo com o texto, os principais sinais de depressão são: a) inabilidade de assistir as aulas e/ou fazer pesquisa, b) dificuldade de concentração, c) diminuição da motivação, d) aumento da irritabilidade, e) mudança no apetite, f) dificuldades de interação social, g) problemas no sono, como dificuldade para dormir, insônia ou sono não restaurativo (a pessoa dorme muito mas acorda cansada e tem sono durante o dia).
Segundo o texto, a maioria das universidades não tem um serviço que possa ajudar os estudantes de pós-graduação. Não obstante, formas alternativas se mostraram relativamente eficazes. Por exemplo, mestrandos e doutorandos poderiam procurar ajuda em serviços oferecidos a alunos de graduação; já os pós-doutorandos poderiam tentar ajuda em serviços oferecidos a professores, sugerem os autores do texto. A maioria dos tratamentos requer apenas uma sessão em que são discutidas as dificuldades dos estudantes, além de sugestões de como manejar melhor a depressão. Uma das principais preocupações é com relação à confidencialidade, que deve ser quebrada apenas se o profissional sentir que o paciente tem chance iminente de ferir a si ou a outrem. Segundo Sharon Milgram, diretora do setor de treinamento e educação do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, “buscar ajuda é um sinal de força, e não de fraqueza”.
Devo admitir que o texto chamou minha atenção por me identificar com o tema, tanto na minha própria experiência, quanto na de vários colegas de pós-graduação que também enfrentaram problemas semelhantes. Acho que o sistema atual de pós-graduação tem falhas que podem aumentar os casos de depressão, como as descritas a seguir:
1- O próprio nome “Defesa” no caso do doutorado
Tem coisa mais agressiva que isso? Defesa pressupõe ataque, é isso mesmo que queremos? Algumas pessoas vão dizer que os ataques são às ideias e não às pessoas. Acho que isso acontece apenas no mundo ideal, porque na prática o limite entre as ideias e as pessoas que tiveram as ideias é muito tênue. Mas pior é nos países de língua espanhola, pois lá a banca é chamada de “tribunal”.
2- Avaliações pouco frequentes
Em vários casos, principalmente no começo do projeto, as avaliações são pouco frequentes, o que faz com que o desespero fique todo para o final. No meu caso, os últimos meses antes da “Defesa” foram os piores da minha vida, pois tive bastante insônia, vontade de desistir de tudo etc. Pior também foi ouvir das pessoas que poderiam me ajudar que aquilo era “normal” e que “fazia parte do processo”… Isso não aconteceu apenas comigo, mas com vários colegas de pós-graduação. Acho que para fazer ciência bem feita, como todo trabalho, tem que ser prazeroso, e acredito que avaliações mais frequentes podem evitar o estresse ao final do trabalho.
3 – Prazos pouco flexíveis
Cada vez mais me é claro que a ciência não é linear, e previsões geralmente são equivocadas. Dessa forma, acredito que não deveria haver nem mestrado nem doutorado com prazo fixo. O pós-graduando deveria ter bolsa por 5 anos para desenvolver sua pesquisa, e a cada ano elaboraria um relatório sobre suas atividades e resultados. Uma comissão deveria julgar esse relatório para ver se o estudante merece continuar. Como cada caso é um caso, em alguns casos, dois anos já seriam suficiente para ter um resultado que possa ser publicado num jornal científico de reputação. Isso daria ao cientista a possiblidade de bolsa por mais 5 anos, por exemplo, para ele continuar sua pesquisa. Em outros casos, 5 anos de trabalho não é suficiente, o que pode ser por causa da própria complexidade da pesquisa, ou outros motivos como atraso na importação de material etc. Nesse caso, acho que o estudante deveria ter pelo menos mais 3 anos de tolerância para poder concluir sua pesquisa, caso os relatórios anuais sejam aprovados, e o estudante comprove que não é por sua culpa que a pesquisa está demorando mais que o previsto.
Senti falta no texto uma discussão com relação ao fato de que para os futuros cientistas que ainda não tem um emprego definitivo, a ausência de estabilidade financeira é também um fator que contribui para o estado de humor dessa classe tão específica e especial de seres humanos.
(1) Médico, doutor em Psicobiologia e Divulgador Científico
Sugestão de Leitura
Gewin, V. (2012) Under a cloud: Depression is rife among graduate students and postdocs. Universities are working to get them the help they need. Nature 490, 299-301.
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